Graduandas em engenharia agronômica contam suas experiências na busca pelo estágio curricular.

Em 1957, na Universidade de Harvard (EUA), os pesquisadores Davis e Goldberg conceituaram o termo “Agribusiness“, em português Agronegócio, como a soma dos processos produtivos, tais como produção, distribuição, armazenamento, processamento e comercialização de produtos agrícolas. Logo, o agronegócio envolve desde o pequeno produtor rural, até trabalhadores de empresas e o consumidor do produto final, sendo responsável por aproximadamente 37% dos empregos no Brasil.

Em março deste ano, a ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Kátia Abreu, falou sobre o aumento do PIB do agronegócio em 2015, elevando 1,8% em relação ao ano de 2014, indo na contramão dos outros setores, que sofreram queda, ela afirmou que “temos de louvar o agronegócio, que cada vez mais dá resultado diferenciado e se destaca na economia brasileira. A cada real investido em nós, o agronegócio dá retorno na forma de emprego, PIB e balança comercial”.

Para saber como estava o mercado de trabalho nesta área, conversamos no início do mês de julho com duas estudantes de engenharia agronômica, ambas da Unesp Jaboticabal, e elas contaram um pouco de sua experiência na busca pelo estágio curricular.

 

                                  agros

                                       Verônica Fregonez, 24.                                          Caroline Maia, 22.


QUAL O MEIO UTILIZADO NAS BUSCAS PELA OPORTUNIDADE DE ESTÁGIO? 

Caroline: Cadastro em sites, tais como vagas.com e CIA de Talentos. Outro meio foi pela divulgação interna da faculdade, embora na minha opinião tenha deixado um pouco à desejar, visto que ano passado recebíamos muito mais alertas de vagas de estágio (talvez a pouca oferta de vagas também seja um motivo pelo qual a divulgação foi menor).

Verônica: Para descobrir sobre as oportunidades de estágio eu precisei me cadastrar em alguns sites, como: VAGAS.COM e CIA DE TALENTOS. Nestes sites eu pude anexar meu currículo, como se fosse um perfil em uma rede social, a partir daí eu me inscrevia nas vagas que eles divulgavam e até me mandavam por e-mail as informações sobre a empresa, salário, local de trabalho e etc.. Acredito que foi eficiente. Outro modo, foram as divulgações que a própria faculdade fez.

QUANTAS ENTREVISTAS REALIZOU?  QUANTAS DERAM PARECER SOBRE O RESULTADO FINAL?

Caroline: Participei de 9 processos seletivos. Já recebi o retorno negativo de 5. Ainda estou concorrendo a duas vagas, mas 2 empresas não me deram nenhum retorno até então.

Verônica: Logo no começo dos processos seletivos eu consegui uma vaga na empresa, líder mundial na área química, BASF. Portanto, não participei de muitas entrevistas, apenas de mais duas. Uma delas me deu retorno rápido, outra ainda estou esperando.

AS VAGAS OFERECIDAS ERAM COMPATÍVEIS COM O QUE PROCURAVA?

Caroline: Algumas eram compatíveis com o que eu procurava, outras não tinham nenhuma relação, mas devido a pouca oferta de oportunidades, participei dos processos seletivos.

Verônica: Sim, consegui encontrar vagas que eram compatíveis, também haviam outras que não eram.

GOSTARIA DE ESTAGIAR EM ALGUMA ÁREA ESPECÍFICA? ATÉ O MOMENTO JÁ CONSEGUIU UMA VAGA?

Caroline:  Gostaria de atuar aliando duas áreas: comercial e pesquisa.

Verônica: Não tenho muita preferência por área, porém a área de hortifruti é um dos meus maiores interesses. Sim, consegui.

ACHA QUE A CRISE NO PAÍS INFLUENCIOU NA OFERTA DE VAGAS? 

Caroline: Totalmente. As empresas estão enfrentando redução de gastos, e para tanto, buscam cada vez menos estagiários. Essa situação é bem clara para todos, visto que os próprios recrutadores têm falado sobre (inclusive sobre as possibilidades de efetivação na empresa; sempre mencionam: depende do momento, do mercado, da situação financeira da empresa).

Verônica: Sim, com certeza influenciou. Quando estava no meu segundo ano da faculdade em 2013, haviam empresas grandes que ofereciam cerca de 80 vagas para estagiários no Brasil todo. Acompanhei a empresa dentro da faculdade e até eles reclamavam que as vagas diminuiriam por falta de verba. Neste ano, menos que 15 vagas foram oferecidas por essa empresa. 

SENTIU ALGUMA DIFICULDADE POR SER MULHER NOS PROCESSOS SELETIVOS?

Caroline: Em partes, já que algumas vagas eram destinadas somente para o sexo masculino e em algumas fazendas, por exemplo, não havia alojamento para mulheres, sendo uma dificuldade para nós, mas não um empecilho. Por ser mulher, acredito que o  nosso serviço tem de ser feito com uma qualidade ainda maior, já que nem sempre somos bem vistas pelos olhos masculinos, portanto a responsabilidade é ainda maior.

Verônica: Sim, acredito que muitas empresas estão tentando aumentar o número de vagas para mulheres, até mesmo na qual ingressei, há mais estagiárias do que estagiários. Porém, em algumas, nas entrevistas as perguntas eram: “Você vai aguentar trabalhar no sol o dia todo?” “Não tem medo de quebrar as unhas?” Desnecessário, porém precisamos responder firme e forte e não perder a pose diante dessas situações, e mostrar o porquê fomos lá, só assim conseguiremos mostrar o quanto as mulheres podem ser tão fortes quanto os homens.

 

O QUE ESPERA QUE O ESTÁGIO ACRESCENTE EM SUA VIDA PESSOAL E PROFISSIONAL?

Caroline: Realização, por meio do conhecimento técnico  e relação com outras pessoas, sendo de extrema importância para o desenvolvimento enquanto pessoa e profissional.

Verônica: O estágio, para mim, é o caminho para ingressar na vida profissional. A oportunidade de mostrar minha força operacional, minha capacidade mental e visão que tenho do mundo, no meio agrícola. A Engenharia Agronômica nos proporciona muita vivência com profissionais de sucesso, com o campo e com o agricultor, por isso também espero que o estágio me acrescente muita experiência.

Logo depois da entrevista concedida ao Mulheres em Campo, Caroline conseguiu uma vaga e atualmente é estagiária na empresa Stoller.

Fonte: goo.gl/EutNuv

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