Conheça Claudia Carlomagno, psicóloga, empresária e agricultora

Essa semana foi divulgado no Jornal Folha de Londrina, dentro do caderno Folha Rural, uma matéria que mostra a realidade de uma psicóloga e empresária que assumiu 4 propriedades rurais no Estado do Paraná! Quer saber mais sobre a trajetória de Claudia Carlomagno? Confira, na reportagem de Victor Lopes.


Psicóloga, empresária no segmento de móveis e decoração em Manaus (AM) e o maior desafio da vida: deixar para trás tudo que conquistou até então em sua carreira profissional e assumir quatro propriedades rurais que totalizam 495 alqueires na cidade de Cornélio Procópio/PR. Essa história bem “improvável” é da produtora Claudia Carlomagno, que há pouco mais de três anos deu uma virada de 180 graus nos seus planos – trabalhou muito e buscou conhecimento no agronegócio – para hoje comandar com sucesso uma produção volumosa de soja e milho no interior do Estado. Sem dúvida, um case que se enquadra bem nesse movimento das mulheres cada vez mais fortes no agro. 

“Tenho muita coisa para aprender, estou só no começo do caminho”, admite a produtora

Foto: Ricardo Chicarelli

Bem, como diz o ditado, “não existe almoço grátis”. As propriedades foram adquiridas por Carlomagno e o seu ex-marido, que tinham o objetivo de morar na fazenda depois na aposentadoria. Quando o relacionamento findou, ela acabou ficando com as áreas e teve que se inteirar mais sobre como estavam sendo administradas naquele momento. “Sou de Campinas, passei a infância e adolescência em Cornélio e fui embora para o Amazonas onde fiquei por mais de 25 anos. Na separação, as propriedades ficaram comigo e voltei para administrá-las, afinal seria meu ganha pão.” 

A ideia inicial não era morar em Cornélio, mas quando se inteirou sobre a real situação da fazenda, percebeu que não daria para tocar o negócio à distância. “Quando conversei com o administrador, vi que as coisas estavam fora dos trilhos. Minha ideia era engrenar a fazenda e depois deixar na mão dele e ir embora. Mas estava pior do que imaginava. Pensei que a propriedade seria minha e viveria dela, teria então que vê-la como empresa, numa gestão diferenciada.” 

E aí começou um dos maiores desafios da vida de Carlomagno. Sem saber absolutamente nada de agronomia, ela foi atrás de conhecimento para entender como funcionava a dinâmica de uma safra, além de todo o viés de mercado e gestão da propriedade. “Foram inúmeras as dificuldades, sendo a primeira a falta de conhecimento técnico. Tive que entender o que era uma planta, quais os macronutrientes que a terra tinha, como funcionavam os fungicidas, herbicidas, qual a melhor escolha da semente, o manejo…tudo. Recebi aulas e mais aulas de pessoas que estavam dispostas a me ajudar.” 

Aos poucos ela foi se familiarizando, entendendo os processos, e confessa que não foi fácil. Mas nas duas safras que já estava à frente do negócio, os resultados apareceram: média na colheita da soja de 165 sacas por alqueire. Na fazenda, ela comanda oito funcionários, todos homens. A comercialização é feita atualmente com uma empresa parceira nos negócios, além disso, nas propriedades, ela tem uma capacidade estática de armazenamento de 110 mil sacas. “Hoje, inclusive, estou fazendo um MBA de Agronegócio na Esalq, afinal, não daria tempo de fazer uma faculdade de agronomia. O curso me mostrou que o que eu faço não é só plantar, o agro envolve muitos fatores dos quais eu não tinha muita noção.” 

Conhecimento que sem dúvida faz a diferença para o que está por vir. Agora – com todo o know-how adquirido – ela já vislumbra um futuro ainda mais promissor para os negócios. “Quero ter o controle do que for possível no negócio. Se não tenho como controlar os preços dos insumos e de comercialização, que eu possa melhorar ainda mais minha produtividade, por meio da tecnologia, o que já estou fazendo. Para o clima, já estou vislumbrando um projeto de pivôs (irrigação), ou seja, a água é mais um item que posso controlar. Por fim, quero diversificar a propriedade, com pecuária e piscicultura. Não posso deixar os meus ovos numa cesta só”, ilustra. 

Se já se sente uma produtora? A resposta de Carlomagno explica bem seu sentimento. “Ainda tenho negócios em Manaus, mas esses dias estava por lá e me peguei dizendo que ali não era mais o meu lugar e precisava voltar para a fazenda. Vou focar só nisso e não me vejo fazendo mais nada na vida que não seja agricultura. Tenho muita coisa para aprender, estou só no começo do caminho.” 

 

 
 

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